O sétimo dia da sessão de julgamento arrancou por volta das 09h50, com questÔes da Ordem dos Advogados de Moçambique (OAM), na qualidade de Assistente do julgamento, colocadas ao réu Ndambi Guebuza.

Na sua introdução, a Ordem dos Advogados de Moçambique colocou perguntas cujo conteĂșdo chamou de “estranhas coincidĂȘncias” e Ndambi Guebuza disse, repetidas vezes, que jĂĄ respondeu ontem Ă s questĂ”es que estĂĄ a ser colocado, por isso reiterava que “nĂŁo vou responder, jĂĄ respondi ontem”.

Entre as vĂĄrias questĂ”es sobre as “estranhas coincidĂȘncias”, a OAM perguntou se Ndambi Guebuza nĂŁo acha estranho que Iskandar Safa, dono da Privinvest, tenha recebido a si, TeĂłfilo Nhangumele e Bruno Langa em simultĂąneo, quando estiveram em Abu Dhabi, tendo Ndambi reiterado que “a questĂŁo Ă© repetitiva, nĂŁo vou responder. JĂĄ respondi ontem”.

Reagindo sobre uma outra questão, Ndambi Guebuza disse que quem fazia parte do Comando Operativo e do Comando Conjunto eram o ministro da Defesa e outros membros e, por isso, são eles que deviam responder às perguntas, que, a ver do réu, são redundantes a si, pelo facto de jå ter dado as respectivas respostas no seu primeiro dia de audição.

O mandatårio da Ordem dos Advogados de Moçambique explicou que alguns dos membros do Comando Conjunto na altura jå foram arrolados como declarantes do processo, e que os demais poderão ser convocados em função da solicitação dos advogados do réu.

Em jeito de protesto, o advogado de Ndambi Guebuza, Isålcio Mahanjane, disse que as questÔes da OAM estão a ser sugestivas e visam influenciar o réu a dar determinadas respostas.

DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS À AUTORIDADE TRIBUTÁRIA GERA DEBATE NO TRIBUNAL

No decurso do interrogatório esta manhã, a Ordem dos Advogados questionou se Ndambi Guebuza declarou os bens à Autoridade Tributåria de Moçambique, ao que o réu disse que preferia não responder à questão. A pergunta em alusão e a reacção do réu geraram um longo e intenso debate, que levou o advogado de Defesa do réu e o Juiz Efigénio Baptista a recorrerem ao que postula a Lei sobre a declaração de rendimentos.

Por sua vez, Efigénio Baptista disse que, de acordo com a Lei de Combate ao Branqueamento de Capitais, os bens devem ser declarados, independentemente de não estarem em território nacional.

Outrossim, o MinistĂ©rio PĂșblico pronunciou-se positivamente sobre a necessidade de declaração de bens, mesmo que estejam fora do paĂ­s, Ă  Autoridade TributĂĄria de Moçambique.

Questionado sobre a aplicação do valor recebido, fruto de parcerias com Jean Boustani, Ndambi Guebuza apenas disse que jå viveu por muito tempo na África do Sul.

“Eu tenho um historial de vivĂȘncia na África do Sul. Fiz faculdade lĂĄ. Depois de terminar os estudos, fiz parcerias lĂĄ, na África do Sul. Vivi lĂĄ por mais de 20 anos”, disse Ndambi Guebuza

Questionado sobre os eventuais prejuĂ­zos que a contratação das dĂ­vidas estĂĄ a causar ao Estado, Ndambi Guebuza remeteu a responsabilidade de dar a resposta ao entĂŁo Chefe do Comando Conjunto, ministro da Defesa, cargo que, na altura, era ocupado por Filipe Nyusi, actual Presidente da RepĂșblica.

No processo que estå em julgamento desde o passado dia 23 de Agosto, Armando Ndambi Guebuza é acusado de crimes de falsificação de documentos, corrupção passiva, abuso de confiança e associação para delinquir.